Crônica: A faca de tomate e eu

Esses dias me peguei pensando sobre como a indústria nos diz que precisamos de uma coisa e aquela coisa se torna necessária… Ou nem tanto assim.

Há algum tempo procurava por kits de facas simples e vários dos que olhei vinham com uma tal de faca de tomate. Nunca tinha ouvido falar dela, mas fiquei curiosa: por que uma faca tão específica? Quem será que pensou “Hum, isso! Uma faca de tomate é o que as pessoas não sabem que precisam!” E todos aplaudindo a ideia na sala de reuniões. “Genial! Genial!”

Então perguntei a uma amiga que gosta bastante de cozinhar coisas diferentes, tem vários utensílios, qual a utilidade de tal objeto. E ela me disse que tinha a faca, mas não a usava e nem sabia onde estava.

Interessante. Não era algo tão útil…

Mas ainda assim, minha curiosidade nata por coisas inúteis me fez pesquisar mais a fundo (ou nem tanto, um texto no Google me ajudaria) e, segundo li, ela serve para, com seu microsserrilhado, romper a pele sem estragar no corte o tomate todo…

Aí, claro, imaginei todo o desastre antes da existência dessa faca.

Que coisa! Comprei um kit e nele vinha a bendita faca, mas só porque não tinha opção sem. Tudo bem, vamos entender, conhecer, evoluir com objetos desnecessários! Cortei um tomate…

Nada de diferente aconteceu.

Então cheguei à óbvia constatação de que com qualquer faca eu cortaria exatamente igual a imaculável pele do tomate e todo ele.

Mas olha só, a faca serviu para cortar laranjas, assim como qualquer outra faca serrilhada. Também usei para cortar uns comprimidos do meu gato. Depois disso a faca exclusiva de tomate descansa no fundo da gaveta.

(30/09/2020)

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Foto e texto: Heidi Gisele Borges

Heidi Gisele Borges

Autora dos livros juvenis "O menino que perdeu a magia", "Um segredo de Natal" e "Histórias de Fantasia", pela Editora Estronho, e de diversos contos de horror. Escreve contos de terror para o Medocast, da Ola Podcasts. É revisora, viciada em livros e em dormir. É mãe do gato Anakin.

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