Sobre a Comic Con Experience 2017!

Após o review da 1ª Spoiler Night, prévia da Comic Con Experience, volto com as impressões gerais de toda a CCXP. Trata-se hoje do maior evento geek/nerd do mundo em número de pessoas, com mais de 227 mil passando pela São Paulo Expo Exhibition & Convention Center nos seus 5 dias de duração.

Com um número tão grande de pessoas transitando pelo local, uma velha conhecida de qualquer brasileiro acaba por se tornar uma atração recorrente: as filas. Há filas para tudo: desde tirar uma foto em algum cenário de filme/série, para ir ao banheiro ou até mesmo para entrar num estande para fazer compras. Na loja de Harry Potter há relatos de até 5 ou 6 horas de espera na fila!

Com 5 edições já realizadas, incluindo a CCXP Tour em Recife, a organização do evento tem que repensar uma estratégia para diminuir o tempo de espera e agilizar as atrações nos estandes. Uma possibilidade seria o agendamento prévio de horário, como acontece em parques da Disney ou dinamizar com atividades de execução mais rápida. Por exemplo, na FOX, apenas um estande de tiro para ganhar uma dog tag personalizada é muito pouco para um público tão grande! Ah, só para constar: eu ganhei – acertei três tiros no alvo!

Este ano a organização inovou com um tipo de ingresso diferente: o Epic Experience. Ele é mais caro que os ingressos para os 4 dias normais do evento (individuais ou 4 dias) e mais barato do que o Full Experience, que tem direito a uma série de mordomias. Fica assim na média: permite o acesso a Spoiler Night, a entrar no evento 1 hora mais cedo sem enfrentar filas e direito a camiseta e pôster, mas não permite acesso preferencial nos painéis do auditório Cinemark, não ganha os 4 colecionáveis exclusivos da Iron Studios, nem permite usufruir da sala Vip, com comes e bebes.

Como o ingresso Full é muito caro (7 mil reais), este ano fui de Epic, empolgado pela possibilidade de entrar mais cedo no evento, não pegar filas e pelo acesso a Spoiler Night. E, tirando a parte de não pegar filas para entrar, não valeu muito a pena. Explico:

  • Distribuíram muitos ingressos em promoções para a Spoiler Night – assim, a prévia do evento que deveria ser exclusiva para Full, Epic e imprensa, inchou com a quantidade de gente, não permitindo que se fizesse muita coisa, até porque tinha só 3 horas de duração;
  • Infelizmente, a maior parte dos expositores não foi avisada de que deveriam começar a funcionar mais cedo, desapontando aqueles que esperavam aproveitar de algumas atrações antes do centro de convenções abrir oficialmente para todos e lotar;
  • Falta de informações sobre o local onde pegar os brindes que faziam parte do ingresso: pôster + camiseta. Há muitas reclamações nos grupos de Facebook sobre pessoas que não conseguiram pegá-los.

Nesse sentido, a organização precisa reconsiderar esse tipo de ingresso para que essas falhas não mais ocorram na próxima edição. Essencialmente, a ideia do Epic é ótima – só de entrar antes sem filas é uma maravilha! Uma recomendação adicional que faria é reservar uma pequena porcentagem de cadeiras no auditório Cinemark para os Epic que resolverem ficar na fila dentro do evento – e não falo do acesso especial do Full – seria apenas algo a mais para valer de fato o preço do ingresso.

Mas voltando a falar das atrações que participei: no estande da Netflix os óculos de realidade virtual no cenário de Stranger Things compensaram muito a espera (tinha que conseguir senha com horário agendado)! Você viaja pelo mundo invertido e é surpreendido com diversos sustos com o Demogorgon aparecendo do nada ou avançando na sua direção.

Na quinta-feira, dei sorte de encontrar por acaso passeando pelo evento o ator Austin St. John, que interpretou o Ranger Vermelho em Power Rangers. E o mais incrível: posando em frente ao Tiranossauro – quem não lembra dele falando Tiranossauro na hora de morfar?

Os estandes da Fox e da Warner também tinham atrações interativas bem divertidas. Tirei foto com tridente do Aquaman e testei minhas habilidades de força bruta acertando um alvo com um martelo, ganhando duas sacolas exclusivas. Mas não quis ser içado por cabos de aço para fazer um gif fingindo voar como em Supergirl ou enfrentar a fila e tirar fotos com o impala de Supernatural. Na Fox, ganhei a dog tag de S.W.A.T ao acertar três tiros no alvo, mas fui um fiasco ao arremessar rosquinhas de madeira na boca do Hommer Simpson e ganhar, de fato, uma rosquinha comestível!

Uma atração à parte que teve muita audiência foram as batalhas entre robôs no Submarino. Assisti pelos menos duas delas. A interatividade com o público foi muito engraçada, com torcida e contagem de segundos ao término de cada batalha.

Não entrei num dos expositores mais concorridos, o da HBO, mas aproveitei para aquela fotinho básica com os Whitewalkers.  Uma pequena atração que ficou escondida foi o do filme Hotel Transilvânia 3, com o staff mais divertido da CCXP. Todas as meninas e o rapaz ficavam dançando o tempo inteiro e animavam a todos que por lá passavam.

Não poderia também deixar de mencionar uma atração à parte de qualquer Comic Con: os cosplayers. A cada ano temos uma quantidade cada vez maior de pessoas que procuram se fantasiar de seus personagens preferidos de filmes, seriados, livros, animes e jogos. E a grande maioria é extremamente solicita e educada, não recusando fotos ou uma conversa rápida.

Mas, conforme já disse na coluna anterior, meu foco este ano eram os quadrinhos e, por isso, dediquei grande parte do meu tempo a Artist’s Alley (AA). Na Spoiler Night fui naqueles que mais queria conhecer. Nos dias seguintes procurei passar por todas as mesas.

Na quinta-feira passei pelas mesas “A’, “B”, “E” e “F”. Alguns destaques: comprei a HQ Aurora do Felipe Folgosi, muito educado e pontual, sendo sempre um dos primeiros a ter sua mesa já organizada desde cedo; a HQ Abutres, de Júlio Magah e Eduardo Vetillo, um western bem interessante; duas HQ’s de Psonha Camacho (Eloiza Aterrorizada e Peek a Boo), que me conquistaram pelas sinopses e traços divertidos; e Bilhetes, que tem como mentor Paulo Borges e traz uma obra compartilhada com outros artistas com uma proposta bem interessante: somos apresentados a seis bilhetes no início do quadrinho, cada um pertencendo a uma história, com diversas reviravoltas a medida que você vai lendo.

Na sexta-feira a passagem pela AA foi pelas mesas “C” e “G”. Conheci o famoso Fabio Coala e curti tanto seu personagem monstrinho que comprei as três HQ’s e o próprio monstro de pelúcia. Na mesa do Allan Albuquerque fui apresentado a Aura, uma HQ que traz a história de uma moça de São Paulo e seus problemas familiares, mas com um toque fantástico. E fui surpreendido por Salto, obra de Rapha Pinheiro, que é uma aventura Steampunk com ilustrações fantásticas, que contam a história de Nu, um habitante de uma cidade subterrânea onde todos são feitos de fogo e vivem com medo da chuva.

Já no sábado, finalizei o percurso da AA nas mesas “D” e “H”. O destaque ficou por conta da HQ Labirinto. Fiquei na dúvida se levava, pois foi a HQ mais cara que adquiri, mas não resisti a história e as ilustrações de Thiago Souto. Labirinto conta a história de dois amigos que vivem aventuras extraordinárias e desenvolvem uma forte relação de amizade e confiança, mas o mais interessante é que a história se passa no universo dos sonhos. E voltando rapidamente para as mesas “B”, também tive a oportunidade de conhecer o “homem das vacas”, Felipe Assumpção, de uma simpatia extraordinária. Ele tem uma página divertida no Facebook chamada “Eu desenhos vacas”. Claro que comprei as Tiras do Bota!

Ainda no sábado, já bem cansado, dei uma passada para ver os auditórios auxiliares Ultra e Prime, que ficam no 2º andar. Engraçado que em 4 anos de CCXP, nunca tinha ido conhecê-los. No auditório Prime assisti a “Masterclass de narrativa” com o quadrinista espanhol Carlos Pacheco. Já no auditório Ultra tive a oportunidade de ver os futuros lançamentos dos colecionáveis da Iron Studios para 2018, dentre eles um diorama com os personagens de Caverna do Dragão e o personagem Pennywise do filme It.

Infelizmente, no domingo não pude ir, mas vi os vídeos sensacionais com a passagem do ator Will Smith, que deu um show de simpatia passeando pelo evento e interagindo com todos no estande da Netflix. Chegou inclusive a cantar o tema de abertura de “Um Maluco no Pedaço” no painel do filme “Bright”.

Termino apenas constatando que, apesar do evento ter crescido demais, ao ponto de irritar com filas muito demoradas, e mesmo com poucas atrações internacionais de peso, ter conseguindo me satisfazer e cumprir meu principal objetivo para este ano: “zerar” a Artists’ Alley, comprando muitos quadrinhos para ler nos próximos meses e conhecendo artistas bacanas! Que venha a CCXP 2018!

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Marcos Almeida é natural de São Luís do Maranhão, já passou dos 30 e tem dupla formação acadêmica (Direito e Publicidade e Propaganda). Dedica o tempo livre aos livros, filmes, seriados, música e a “não fazer nada” – função em que é especialista -, mas, às vezes, quando isso enjoa, ele gosta de falar e escrever sobre assuntos aleatórios.

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Heidi Gisele Borges

É revisora, autora dos livros juvenis "O menino que perdeu a magia" e "Um segredo de Natal", pela Editora Estronho, e de diversos contos de horror, tudo sob o nome Celly Borges. Gosta de ler sobre a II Guerra Mundial, de colecionar livros e falar sobre eles. Gosta de costurar nas horas vagas. É mãe do gato Anakin.

6 comentários em “Sobre a Comic Con Experience 2017!

  • 19 de dezembro de 2017 em 18:13
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    Q legal seu texto Marquinhos…..amei seu ponto de vista….e continuo longe desses tipos de eventos….justamente pela “multidão”.

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    • 19 de dezembro de 2017 em 20:06
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      Opa, que bom que gostaste, Tati. Realmente eventos desse porte são muito cheios, mas te digo para experimentares algum dia! No mínimo será divertido! 🙂

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  • 4 de Janeiro de 2018 em 00:33
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    Que máximo o sei texto, até me deu vontade de ir. Felipe Folgosi era ator, nem imaginava que estava nos quadrinhos agora. Se é que é o mesmo.

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    • 12 de Janeiro de 2018 em 16:45
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      Oi, é ele mesmo, Bia. Ele é muitíssimo educado, tratando bem a todos que passam por lá. Este ano eu dei a cara para bater, pois sou bem tímido pessoalmente, mas conseguir interagir bem com quase todos os quadrinistas!

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  • 12 de Janeiro de 2018 em 15:47
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    Que legal ver “Bilhetes” na sua lista de aquisições, Marcos. Sou roteirista da HQ, e, como é um lançamento independente, será que poderia fazer um jabazinho por aqui, rs? Olha só, quem quiser adquirir a revista é só entrar em contato pelo bilheteshq@gmail.com. Tem frete grátis pra todo o Brasil.
    Espero que passe bons momentos com “Bilhetes”! Abraço!

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    • 12 de Janeiro de 2018 em 16:47
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      Oi, Marcelo. Que bacana! Eu cheguei a ver o projeto no Catarse, mas perdi o prazo. Que bom que deu para adquirir na CCXP. Ela está na lista de leitura do mês que vem e talvez venha a fazer uma review! Abraço.

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