A Abadia de Northanger, de Jane Austen

Adoro esses livros de bolso, são muito práticos. Tenho vários e dessa vez o título que me chamou (já falei sobre isso em algumas resenhas: os melhores livros, em minha opinião, são aqueles que me escolhem, pedem para ser lidos) foi A Abadia de Northanger (Northanger Abbey), de Jane Austen (1775-1817), na agradável edição pocket da L&PM (268 páginas).

Não há nada melhor do que ser escolhida por uma ótima obra. Jane Austen é delicada e irônica na medida. Neste título há a crítica aos críticos que desmerecem a obra sem dar chance ao prazer da leitura, ao mesmo tempo em que ironiza a literatura gótica repleta de seus clichês. E a jovem Catherine Morland, 17 anos, por vezes sente vergonha ao expressar seu amor pelos romances de terror, exatamente por acreditar que as pessoas à volta a condenam. Mas ela encontra pessoas que a compreendem, mostram que não há motivos para tal sentimento, pois uma leitura, de romance ou História, é tão rica quando se encontra o prazer da leitura.

A pessoa que não sente prazer com um bom romance, seja cavalheiro ou dama, só pode ser intoleravelmente estúpido.

Há também a crítica à sociedade da época. Já no início a Srta. Morland vai passar um tempo na cidade com os amigos Sr. e a Sra. Allen, pois ele está doente e precisa se cuidados, a jovem aproveita para conhecer e ter uma vida social como se fazia necessário às mocinhas daquela época, principalmente para conseguir um bom partido. Nesse caminho encontra pessoas efêmeras, que falam sobre si e suas desventuras com vestidos ou cavalos, sobre casamentos e bens, e outras tão encantadoras que a faz abandonar passeios desejosos para estar ao lado de quem a compreende para uma caminhada e uma gostosa conversa. E acaba por apaixonar-se pelo jovem Henry Tilney. E é com a família Tilney que vai passar um tempo, na Abadia de Northanger.

Catherine é muito sonhadora,

… e ela mal pôde ter certeza de que a Abadia de Northanger havia sido um convento ricamente dotado no tempo da Reforma, de que caíra nas mãos de um antepassado dos Tilney no períoda da Dissolução, de que uma grande parte do edifício integrava ainda a residência atual, embora o resto estivesse deteriorado, ou de que o prédio se erguia no fundo de um vale, resguardado ao norte e ao leste por altas matas de carvalho.

Na abadia, naturalmente sombria, ela imagina que possa viver as situações de suspense dos romances de terror.

A inglesa Jane Austen faz uso de um tom delicado, por vezes invade a história com comentários pertinentes àquela época, e que se mostram bastante atuais. O tema é o comum em suas obras, como em Emma, Mansfield Park: a busca pelo amor verdadeiro, fugindo da sociedade e suas discussões sem futuro, como a questão do interesse das mulheres em falar de suas vestes e se mostrar em bailes e festas; os homens se apresentam mais influentes e detentores de uma fortuna maior que os outros. É uma obra muito bem escrita, com bastante ironia e prende o leitor, mostra que nem todas as mocinhas eram ligadas a assuntos de pouco valor e os homens as valorizavam também por isso.

Em 1986 e 2007, o livro foi adaptado para minissérie. Jane Austen morreu em 18 de julho de 1817, aos 42 anos, e nos deixou obras como Orgulho e preconceito, Razão e sensibilidade, Persuasão, Emma, Mansfield Park e A Abadia de Northanger.

Encante-se com a leitura de A Abadia de Northanger como eu fiquei encantada.

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