Resenha: O escritor e sua missão, de Thomas Mann

Thomas Mann (1875-1955), Nobel de Literatura em 1929, saiu da Alemanha, seu país natal, em 1933. Era um antinazista declarado. Fez diversos textos sobre sua posição que foram publicanos no livro Ouvintes alemães! Discursos contra Hitler (Deutsche Hörer!, Editora Zahar), escritos entre 1940-45.

“Nesse contexto é bom dizer que Thomas Mann, à diferença de boa parte dos escritores alemães, assume em público posições políticas a respeito do nazismo (…) Um dos primeiros alemães a denunciar no continente americano a política nazista de extermínio de judeus.”

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Em O escritor e sua missão, publicado pela Editora Zahar, Thomas Mann fala rapidamente, mas de forma muito interessante, de vários autores que admira. Heinrich Heine, por exemplo, Thomas Mann mostra que foi injustiçado ao não ser reconhecido. E nos textos conhecemos também um pouco mais de Mann.

O escritor e sua missão traz uma ótima apresentação do professor Johannes Kretschmer. O livro é recheado de notas de rodapé com explicações complementares sobre o contexto da época e, para os mais curiosos, muitas sugestões de livros.

Thomas Mann é autor de diversas obras importantes. Um exemplo é Doutor Fausto (Doktor Faustus), que faz um paralelo com a II Guerra Mundial, período que Mann saiu da Alemanha e publicou os textos contra o regime nazista.

A reunião de ensaios em O escritor e sua missão se mostra muito importante ao trazer a opinião de um grande autor que admirava também os grandes.

“Anna Karenina, de Leon Tolstói, foi importante para a composição de seus romances Os Buddenbrooks e A montanha mágica.”

Ao escrever o necrólogo sobre a triste morte de seu amigo e irmão Hugo von Hofmannsthal ­– que já era um poeta respeitado desde os 17 anos –, Mann diz: “A guerra mudou os conceitos e ele teve dificuldades em se adaptar”, que frase forte!

É visível a diferença de tons no texto in memoriam e no Discurso sobre Lessing. No primeiro, com razão, a tristeza se faz presente. No último se exulta a obra e o autor, há alegria, há vontade de falar sobre Lessing. E usa uma frase desse escritor para mostrar que há tantos anos já se falava de algo que viria a acontecer na época de Mann, o nazismo:

“É quando ele sonha que ‘em cada país existissem homens que transcendem os preconceitos da comunidade nacional e percebessem o momento em que o patriotismo deixa de ser uma virtude.’”

Além de muitos textos incríveis, há um sobre Goethe, autor que Mann adorava. E, em 1938, foi a Berlim falar sobre ele e seu centenário de morte. Na Alemanha Thomas Mann discursa sobre o escritor com o título Goethe como representante da burguesia, já que os nazistas usavam o autor como populista.

No início do livro há o comentário do professor Johannes Kretschmer sobre cada texto e recomendo ler cada parte junto com o texto correspondente. Um autor que deve ser lido e relido.

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Heidi Gisele Borges

Autora dos livros juvenis "O menino que perdeu a magia", "Um segredo de Natal" e "Histórias de Fantasia", pela Editora Estronho, e de diversos contos de horror. Escreve contos de terror para o Medocast, da Ola Podcasts. É revisora, viciada em livros e em dormir. É mãe do gato Anakin.

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