Resenha: O Homem da Areia, de E. T. A. Hoffmann

O conto O Homem da Areia (Der Sandmann, Editora Rocco, 2010), do alemão E. T. A. Hoffmann, foi publicado em seu livro Peças Noturnas (Nachtstücke, 1817). Primeiramente é narrado em forma de carta. Natanael conta, desesperado, ao amigo Lothar sobre seu medo, o horror do ser que encontrou em sua infância, mas é Clara, a irmã de Lothar, quem lê primeiro. Natanael crê que o tal Homem da Areia, que rouba olhos, o visitou recentemente, através de um vendedor de lunetas chamado Coppola.

Na carta ele explica os acontecimentos de quando era criança. Depois do jantar, a família sempre se reunia no gabinete do pai, que contava histórias. Em algumas noites ele ficava distante, silencioso, e a mãe se tornava preocupada. Nesses dias, às nove horas, as crianças eram mandadas para seus quartos e deviam ficar quietinhas. Para isso a mãe dizia que o Homem da Areia estava chegando, no entanto, como uma boa mãe, ela não queria ver seus filhos com medo e se apressava em dizer que esse ser não existia. Porém, a casa já estava envolta numa estranha atmosfera.

Sem receio, a governanta explicava sobre esse sujeito temido pelo garoto:

“É um homem mau, que vem procurar as crianças que não querem ir para a cama. Joga punhados de areia em seus olhos, que tombam ensanguentados, e os apanha, os enfia numa bolsa, e os carrega para a lua para alimentar seus netinhos.”

E Natanael ouvia, de fato, passos na escada.

É uma visão terrível para um adulto, e muito pior para uma criança. Não me admira o pensamento de Clara, noiva de Natanael, pois o horror contado em carta não amolece o coração da jovem. Ela pensa que há algum tipo de medo infantil, que permanece por conta do susto que seu amado teve quando pequeno. Através de doces palavras tenta tranquilizá-lo, mas de nada adianta.

Na segunda parte o próprio autor toma as rédeas e narra o que aconteceu com Natanael a partir dali, dando, assim, veracidade à história.

Natanael se apaixona pela estranha e bela Olívia, filha de seu professor. Ele se mostra cego por esse amor e há o questionamento sobre sua possível loucura.

Em seu estudo sobre a história, Freud discute o que o pequeno descobre sobre o Homem da Areia:

“(…) Hoffmann já insinua uma dúvida: estamos diante de um primeiro delírio do menino, presa de sua angústia, ou de um relato que, no mundo onde se desenvolve o conto, devemos considerar real?” (Remo Ceserani. O Fantástico. Editora UFPR, 2006).

O Homem da Areia faz parte da coleção Novelas Imortais, organizada por Fernando Sabino, que faz uma rápida apresentação em cada obra.

Ernst Theodor Wilhelm Hoffmann (1776-1822) trocou seu terceiro nome por Amadeus, em homenagem a Mozart. Estudou direito, foi compositor e escritor. Autor dos livros Quebra-Nozes e Camundongo Rei, Reflexões do Gato Murr, A Senhora de Scuderi e muitos outros.

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Resenha publicada também no Jornal Em Foco, Brusque, SC, e Revista Mestres do Terror.

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