Objetos cortantes, de Gillian Flynn

Essa é a história de Camille Preaker, uma jovem que passou por muitos problemas durante a sua vida, até que é internada num hospital psiquiátrico, e ao sair de lá consegue trabalhar num pequeno jornal em Chicago.

Quando seu chefe percebe que na cidade natal de Camille, Wind Gap, casos estranhos de assassinato de uma menina e sumiço de outra estão acontecendo, ele a manda para lá para cobrir o caso, pois acredita que uma pessoa local será melhor para apurar os fatos.

Camille não quer ir, sua cidade traz muitas lembranças ruins. Acompanhamos essa tristeza, essa dor causada pelo passado. As marcas que esse passado deixou nela e às vezes se pronunciam, sempre presentes, como uma entidade. E descobrimos muitas coisas ruins que a própria personagem causa.

É uma história doentia, que marca e a expectativa do final traz ao leitor uma série de pensamentos fortes, ruins. Uma agonia de saber que o ser humano é tão ruim, não apenas, infelizmente, num romance se suspense.

A forma como a mãe trata a filha que há tempos não vê me trouxe asco. E há a impotência de Camille diante dessa pessoa horrorosa que visivelmente faz mal a ela. Adora é uma personagem muito bem construída para irritar.

A meia-irmã é uma criança terrível, fria e dissimulada. Apenas o padrasto parece não se importar com nada enquanto lê seu jornal.

A sociedade é tão perfeita, todos são tão fantásticos – aquela magia americana da família correta –, que a ironia é a podridão revelada depois de algumas bebidas e da vontade de mostrar que sabe mais do que os outros, da vida dos outros.

Recomendo a leitura desse livro. E que o leitor tenha nervos de ferro, pois é tenso do início ao fim.

“Em inglês a depressão é chamada de blues, mas eu ficaria feliz em despertar para um mundo azulado. Para mim a depressão é amarelo-urina. Quilômetros exaustos de mijo fraco.”

Peguei esse e-book de Objetos cortantes numa promoção da Amazon, na Black Friday, e não demorou tanto tempo para que ele me chamasse e pedisse para ser lido.

Sentia falta de ler um bom suspense, com toques de horror e quando me deparei com Objetos cortantes (Editora Intrínseca, 256 páginas) foi incrível! A obra quase implorou para ser lida. E um livro que me chama que não pode ser deixado para depois, precisa ser lido todo logo.

Interessante como um primeiro livro lido pode nos fazer transformar fãs de um autor. Gillian Flynn (1971) também é autora de Garota exemplar e Lugares escuros, ambos viraram filmes.

Compre:

Livro: Objetos Cortantes

E-book: Objetos cortantes

Heidi Gisele Borges

É revisora, autora dos livros juvenis "O menino que perdeu a magia" e "Um segredo de Natal", pela Editora Estronho, e de diversos contos de horror, tudo sob o nome Celly Borges. Gosta de ler sobre a II Guerra Mundial, de colecionar livros e falar sobre eles. Gosta de costurar nas horas vagas. É mãe do gato Anakin.

Um comentário em “Objetos cortantes, de Gillian Flynn

  • 12 de julho de 2018 em 15:40
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    Muito boa história, é agradável! Meu conselho? Cai de cabeça! Vale a pena!!! O livro é bem escrito, todo em primeira pessoa e apresenta todos os acontecimentos e personagens sob a dimensão de Camille. A estrutura narrativa é bem montada, não sobra espaço para confusão e o desfecho é levemente deduzível, contudo até o último momento torcemos para que estejamos errados. Por outro lado a Minissérie (por certo, eu recomendo esta série Sr. Ávila, também é uma ótima opção) Objetos cortantes estreou no domingo na HBO. Produção é inspirada em livro homônimo de Gillian Flynn. No primeiro episódio, Objetos cortantes vai aos poucos inserindo a história, que envolve tanto o mistério dos assassinatos quanto o mistério envolvendo o passado de Camille, uma mulher receosa da mãe, assombrada pelos fantasmas do passado que envolvem a morte de uma irmã, viciada em bebidas alcoólicas e também em automutilação. Mesmo assim, isso não torna a série lenta. Pelo contrário, ao entregar pouco, a produção faz com que o espectador queira seguir nessa história, que promete muitas reviravoltas. Visualmente, Objetos cortantes também é muito interessante. As cores extremamente fortes das cenas contrastam com a atmosfera de mistério que envolve a história. Outro ponto alto são os debates que a minissérie vai abordar como a relação entre mãe e a filha e, claro, a automutilação, algo que atormenta a vida da protagonista.

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