Resenha: A Casa dos Muitos Caminhos, de Diana Wynne Jones

Estou órfã.

Quando li a última frase de A Casa dos Muitos Caminhos (Galera Record, 304 páginas) foi esta a sensação que tive, infelizmente Diana Wynne Jones, essa grande criadora, contadora e escritora nos deixou em 26 de março de 2011, exatamente há 2 anos, por conta de um câncer no pulmão.

Não poderei mais encontrar Howl, Sophie, Calcifer e o próprio Castelo Animado. Me senti mal por isso, de verdade. Bateu uma tristeza tão grande… A série Castelo Animado – os três livros – entrou para a lista dos favoritos.

Capa antiga

Em A Casa dos Muitos Caminhos, Charmain é uma menina que ama os livros, vive com a cara afundada neles, e deseja trabalhar na Biblioteca Real. Mas um dia a tia Semprônia a leva para cuidar da casa do tio-avô William Norland, um mago que está doente e precisa se retirar a fim de se tratar.

Como a menina leva uma boa vida sem fazer nada, somente lendo, a tia lhe questiona se conseguirá cuidar da casa, e também se Charmain sabe magia. Nessa parte ela gagueja, mas a tia não percebe. Sua mãe “não achava que a magia fosse algo distinto”, por isso a menina nunca aprendeu nada.

Já na casa, descobre que o tio deixou muitas mensagens, se ela não soubesse como fazer algo, era só perguntar alto que ele responderia. Descobre também que a casa não é comum, ela realmente tem muitos caminhos. No início, entrar por uma porta, voltar e encontrar um lugar diferente pode parecer meio difícil, mas depois se acostuma.

Na casa, que está uma verdadeira bagunça, cheia de roupas e louça suja – sem torneira para lavá-las, pois os kobolds as arrancaram, Charmain encontra uma pequena amizade, o cachorrinho Desamparado, que se revela mais uma Desamparada.

De repente chega Peter, um menino que diz ter ido aprender magia com o senhor William, mas, mesmo ele não estando, o garoto acaba ficando. Ele ajuda Charmain nas complicadas tarefas do dia a dia – é um tanto desastrado –, mas a menina por vezes não reconhece seu apoio, como quando ele arruma o seu quarto e Charmain fica revoltada, pois ela queria aprender a ter responsabilidade e fazer as tarefas, e como conseguiria se alguém sempre fazia tudo para ela?

Nessa aventura Charmain encontra antigos personagens, o sapeca Howl, Sophie e Calcifer, o demônio do fogo, que trazem uma ajuda mais do que bem-vinda.

A Casa dos Muitos Caminhos mostra a amizade, a paciência que precisa ter para conseguir conviver, pois precisamos abrir mão de certas atitudes que estamos acostumados e saber dividir e aprender com os outros.

Não posso simplesmente falar que é mais um livro de Jones. Talvez possa dizer que é mais um livro incrível de uma de minhas autoras favoritas.

Os livros que compõem a série são histórias à parte, mas que unidos formam uma maior. Em todos eles o leitor encontra o trio Howl, Sophie e Calcifer. Eles deixam saudade.

Diana Wynne Jones (16 de agosto de 1934 – 26 de março de 2011) escreve de maneira a prender o leitor, e o faz querer mais e mais. Cursou inglês na Universidade de Oxford e foi aluna de C. S. Lewis e J. R. R. Tolkien. Escreveu mais de 40 obras, infelizmente poucas foram lançadas no Brasil. Da série Os Mundos de Crestomanci nem todos os livros foram traduzidos, apenas cinco dos sete títulos.

Jones inventou uma das melhores histórias que já li. A série toda, O Castelo AnimadoO Castelo no Ar e A Casa dos Muitos Caminhos, é altamente recomendada.

A Editora Record, pelo selo Galera Record, colocou em pré-venda (lançamentos em 17/05/2021) um box lindo com os três títulos e brindes, que você pode comprar na Amazon.

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Primeiros parágrafos:

– Charmain deve ir – disse a tia Semprônia. – Não podemos deixar o tioávô William enfrentar sozinho.
– Seu tio-avô William? – espantou-se a Sra. Baker. – Ele não é… – ela tossiu e baixou a voz poque isso, para ela, era muito desagradável. – Ele não é um mago?

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Leia a resenha de O castelo animado  O castelo no ar.

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Heidi Gisele Borges

Autora dos livros juvenis "O menino que perdeu a magia", "Um segredo de Natal" e "Histórias de Fantasia", pela Editora Estronho, e de diversos contos de horror. Escreve contos de terror para o Medocast, da Ola Podcasts. É revisora, viciada em livros e em dormir. É mãe do gato Anakin.

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