Resenha: A dama do cachorrinho e outras histórias, Anton Tchékov

É interessante ler Tchékhov (1860-1904). Ele mostra tão bem como eram – ou são – as pessoas. O dia a dia da alta sociedade formado por efemeridades.

O conto que mais me marcou foi O enxoval. Que triste a história dessa moça e sua mãe.

“Uma casinha de um andar, com três janelas, terrivelmente parecida com uma velhinha pequena, corcunda e de touca.”

As duas costuram e costuram o enxoval para a filha durante muito tempo. Há muita, muita coisa pronta, menos um noivado… E que final!

Anton Pávlovitch Tchékhov nasceu em Taganrog, no sul da Rússia. Foi dramaturgo, romancista e contista. Escreveu grandes peças como As três irmãs e Tio Vânia. Sobre seu posicionamento político, “o fato de não militar nesses grupos não significava que ele fosse indiferente. Simplesmente não acreditava em nenhum deles e considerava ingênuos e inúteis alguns movimentos”, conta Maria Aparecida Botelho Pereira Soares no prefácio, ela também assina a tradução desta obra. (Esta citação da mesma forma é válida para os movimentos de hoje.)

A frase “Que costumes selvagens, que caras! Que noites sem sentido, que dias desinteressantes, sem nada de importante!”do conto A dama do cachorrinho, resume bem a vida de muitos personagens de Tchékhov.

O conto que dá nome ao livro, mostra o amor impossível, um homem que trata as mulheres como inferiores, e se sente melhor na presença delas, e cansado com os homens. Ele é casado, e sua mulher tentava ser alguém culta. Mas logo ele se encanta pela dama. É um conto que adoraria que fosse um romance, com mais detalhes.

Em A noiva, uma jovem está prestes a casar, quando o amigo da família mostra como eles são tristes, ociosos, e quando ela começa a perceber tudo isso e a se sentir mal, precisa fugir de todas as coisas vulgares que a cercam.

A dama do cachorrinho e outras histórias (Dama s sobachkoy, Editora L&PM, 2009) é um livro incrível com 12 contos. Recomendo para quem gosta dessas histórias curtas e para os escritores também. É uma aula.

Uma das mais interessantes construções de frase está no conto Anna no pescoço:

“Durante o jogo, as mulheres dos funcionários se reuniam, todas elas feias, vestidas com mau gosto, mal-educadas como as cozinheiras, e tinham início os mexericos, também feios e de mau gosto como as esposas dos funcionários.”

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Heidi Gisele Borges

É revisora, autora dos livros juvenis "O menino que perdeu a magia" e "Um segredo de Natal", pela Editora Estronho, e de diversos contos de horror, tudo sob o nome Celly Borges. Gosta de ler sobre a II Guerra Mundial, de colecionar livros e falar sobre eles. Gosta de costurar nas horas vagas. É mãe do gato Anakin.

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