Resenha: As possuídas (Mulheres perfeitas), de Ira Levin

Joanna, uma fotógrafa amadora, nova em Stepford, vê como é estranho ter apenas um clube para homens e pretende criar um para mulheres, desse modo tenta convocar suas vizinhas, mas falha, pois todas estão muito ocupadas limpando suas casas.

A história é em torno de Joanna tentando descobrir o que acontece naquela cidade irritantemente perfeita. Até os carrinhos de compras são muito organizados.

Sua amiga Bobbie, a única que concordava com Joanna e a ajudava, sem sucesso, a recrutar mulheres para o grupo, de repente se torna como uma das mulheres perfeitas.

“– Parece – cortou a dra. Fancher – a ideia de uma mulher que, como muitas outras hoje em dia, com bons motivos, suspeita dos homens e tem um ressentimento profundo por eles.”

Ela fica obsessiva com a ideia de que estão substituindo as esposas por robôs. Walter, o marido, quer que ela busque ajuda, e ela tenta. Mas seus sentidos sabem que há algo estranho.

Ira Levin (1929-2007), nasceu em Nova Iorque, é autor de muitos livros, entre eles O bebê de Rosemary e Os meninos do Brasil. Ele conseguiu uma boa história aqui, sobre as mudanças para agradar ao outro, o trabalho doméstico impecável de esposas impecáveis.

O filme Mulheres Perfeitas (The Stepford Wives, 2004), dirigido por Frank Oz, com Nicole Kidman, Matthew Broderick, Bette Midler, Glenn Close, Christopher Walken, tem uma história muito diferente. Bastante caricata.

Então, para quem assistiu primeiro ao filme, no livro será tudo surpresa. Inclusive o final.

Gosto bastante dessa versão do filme, mas lá tem apenas a estrutura da história. A família que se muda para Stepford, a Associação Masculina, as mulheres que agem de forma estranha… Ele foi adaptado para a época atual, com toda a correria, obrigações etc., mas Stepford, apesar de toda tecnologia, parece viver nos anos 1970 (o livro foi lançado em 1974). O filme mostra a mulher como vilã, num final muito mais interessante e impactante, mas que muda toda a essência do livro. Juntando as duas versões podemos compreender que a maldade contra as pessoas vem dos dois lados, não tem como separar homens e mulheres e criar uma sociedade perfeita, nem com um lado apenas, como muitos querem ainda hoje.

Há também um filme de 1975, Esposas em conflito (The Stepford Wives), dirigido por Bryan Forbes, que é mais fiel.

A tradução do título do livro é totalmente equivocada. Não são mulheres possuídas, elas são transformadas. E a capa é de um mau gosto terrível. A tradução é de Franklin David Rumjanek, cedida pela Editora Record, que publicou essa história também com o título Mulheres Perfeitas, com a Nicole Kidman na capa.

Elas são mulheres que querem cuidar da casa, do marido e dos filhos, não que isso seja ruim ou errado. Cuidar da casa e da família também é uma escolha, mas se torna estranha quando elas param de fazer outras coisas que as agradavam e a limpeza da casa e todos os cuidados viram uma obsessão.

É o segundo livro do autor que leio, o primeiro foi o policial O beijo da morte (A Kiss Before Dying, 1953, também publicado pelo Círculo do Livro), que, assim como As possuídas, é uma leitura morna.

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Heidi Gisele Borges

Autora dos livros juvenis "O menino que perdeu a magia" e "Um segredo de Natal", pela Editora Estronho, e de diversos contos de horror, tudo sob o nome Celly Borges. É revisora, viciada em livros e em dormir. É mãe do gato Anakin.

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