Resenha: Crônicas para jovens: de escrita e vida, de Clarice Lispector

Crônicas para jovens: de escrita e vida” (2010, Editora Rocco, 144 páginas) reúne várias pequenas histórias de Clarice Lispector (1920-1977), até mesmo alguns excertos de textos longos, em que ela fala de sua vida de escritora, com escrevia etc.

Na crônica “Como é que se escreve?” a autora explica de forma bastante simples: “escrevendo”.

Na crônica que abre o livro, “Poesia”, ela diz:

“– Fiz hoje na escola uma composição sobre o Dia da Bandeira, tão bonita, tão bonita… pois até usei palavras que eu não sei bem o que querem dizer.”

Vejo aqui a beleza da escrita simples que diz mais do que qualquer texto pomposo.

Alguns destaques que podem dizer bastante sobre a arte de escrever:

“Sobre escrever”, a arte de pesquisar e de conhecer o que se quer escrever:

“Às vezes tenho a impressão de que escrevo por simples curiosidade intensa. É que, ao escrever, eu me dou as mais inesperadas surpresas. É na hora de escrever que muitas vezes fico consciente das coisas, das quais, sendo inconsciente, eu antes não sabia que sabia.”

“Escrever (III)”, sobre escrever sempre, independente se tiver a inspiração, e, também, fala que nem todos conseguem mesmo escrever

“Uma coisa eu já adivinhava: era preciso tentar escrever sempre, não esperar por um momento melhor porque ele simplesmente não vinha. Escrever sempre me foi difícil, embora tivesse partido do que se chama vocação. Vocação é diferente de talento. Pode-se ter vocação e não ter talento, isto é, pode-se ser chamado e não saber como ir.”

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Em algumas crônicas Lispector admite que não gosta tanto de ler, “E, ainda fazendo parte desse mistério, por que leio tão pouco? O que era de se esperar é que eu tivesse verdadeira fome de leituras. (…) No entanto, só consigo ler coisas que, se possível, caminhem direto ao que querem dizer”, mas sabe precisa se corrigir. Em partes concordo, poucas histórias prolixas me encantam. Essa mania de “enrolar” muitas vezes não dá certo, do mesmo modo usar palavras complicadas, como vimos na primeira crônica. Essa é uma dica que sempre dou aos autores que estão iniciando nesse mundo dos livros e contratam meus serviços de preparação de texto: lapide sua história. Mas eu devoro livros. Não saberia viver sem ler.

Clarice fala que teve várias máquinas de datilografar, e repete algumas vezes que “eu disse uma vez que escrever é uma maldição”.

De “As três experiências”: “Porque a gente não cria os filhos para a gente, nós criamos para eles mesmos. Quando eu ficar sozinha estarei cumprindo o destino de todas as mulheres.”

E da crônica “O grito”, vemos um texto sofrido, a autora mostra muita tristeza: “Quero os que me acham antipática porque com esses eu tenho afinidade: tenho profunda antipatia por mim”.

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Heidi Gisele Borges

Autora dos livros juvenis "O menino que perdeu a magia", "Um segredo de Natal" e "Histórias de Fantasia", pela Editora Estronho, e de diversos contos de horror. Escreve contos de terror para o Medocast, da Ola Podcasts. É revisora, viciada em livros e em dormir. É mãe do gato Anakin.

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