Resenha: O príncipe feliz e outros contos, de Oscar Wilde

Peguei por acaso esse livro, queria ler apenas o conto “O Rouxinol e a Rosa”, e acabei me encantando muito pela forma como Oscar Wilde (1854-1900) conta essas histórias. Não havia lido nenhum de seus contos de fadas e “O Rouxinol e a Rosa” entrou para os favoritos, então precisei continuar o livro todo.

Falar de um conto é falar de todos: são fortes, repletos de amizade, aprendizado e lições de moral. E morte.

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O primeiro conto, que dá nome ao livro, “O príncipe feliz”, é a história desse homem que já havia morrido e fora transformado em uma estátua no alto da cidade, onde ele podia ver além dos seus bailes e festas elegantes, quando era feliz. Até que chega um Andorinha que o ajuda a melhorar a vida de várias pessoas ao distribuir as riquezas que compõem a estátua, mas o problema é que o Andorinha devia ter ido para o Egito para o verão… O inverno não lhe faz bem…

“O Gigante egoísta” conta a história de um lugar extremamente feliz, um quintal onde as crianças se divertiam todos os dias, até que o dono, o Gigante, volta de sua viagem de sete anos e coloca todos para correr. Aquele era o seu lugar e ninguém poderia aproveitar a não ser ele… Quando o inverno chega, tudo na cidade fica branco e frio, mas depois isso passar e vem a primavera e o verão, mas nada muda no quintal do Gigante, ali é sempre frio e triste. Mas claro que isso muda em um momento. Esse conto tem um final tão triste e bonito…

“O Rouxinol e a Rosa” trata desse pássaro que deseja ajudar um humano a conquistar sua amada. Ela diz que só vai dançar com ele se ele lhe der uma rosa vermelha, mas o rapaz não encontra de jeito nenhum a flor, então o Rouxinol sai em busca e a encontra de uma forma trágica. Mas esse não é o fim…

É Interessante quando de repente percebemos que alguém que se diz amigo só quer mesmo se aproveitar e que quando precisamos dele tudo se torna tão difícil e pesado e impossível. Às vezes demoramos para perceber o aproveitamento, mas quando isso acontece é bem decepcionante. Abaixo uma citação do conto “O amigo devotado”.

“‘Mas nós não podemos chamar o pequeno Hans para vir aqui?’, disse o filho mais jovem. ‘Se o pobre Hans passa por dificuldades eu poderei dar-lhe metade do meu mingau, e mostrar-lhes meus coelhos brancos.’

“‘Que garoto estúpido vós sois!’, exclamou o Moleiro. ‘Eu não sei mesmo qual a utilidade de mandardes-vos à escola. Vós pareceis não aprender nada. Pois, se o pequeno Hans vier até aqui e vir nossa lareira aquecida, nossa ceia, nosso imenso barril de vinho tinto, pode ser que ele fique com inveja, e inveja é a coisa mais terrível que há, e pode arruinar o caráter de qualquer um. Certamente não permitirei que a natureza de Hans seja arruinada. Sou seu melhor amigo e sempre o vigiarei, e cuidarei para que nunca seja levado em tentação. Além do mais, se Hans vier aqui, pode ser que ele me peça um pouco de farinha a crédito, e isso eu não posso fazer. Farinha é uma coisa e amizade é outra, elas não devem ser confundidas porque não são o mesmo e significam coisas completamente distintas. Todo mundo pode ver isso’.”

O último conto “O Foguete extraordinário”, mostra que a soberba nunca é algo bom. Aqui, um foguete que se acha mais especial que os outros acaba não sendo nada, pois ninguém o viu, mas sua arrogância permanece até o fim.

O livro de contos de fadas “O príncipe feliz e outros contos” foi publicado originalmente em 1888, escrito para seus filhos. Um dos meus livros favoritos é seu único romance, “O retrato de Dorian Gray”. O irlandês Oscar Wilde foi escritor, poeta e dramaturgo.

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Recomendo o livro, também da Landmark, “Contos completos de Oscar Wilde“, onde constam todos esses contos de “O príncipe feliz” e muitos outros.

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Heidi Gisele Borges

Autora dos livros juvenis "O menino que perdeu a magia", "Um segredo de Natal" e "Histórias de Fantasia", pela Editora Estronho, e de diversos contos de horror. Escreve contos de terror para o Medocast, da Ola Podcasts. É revisora, viciada em livros e em dormir. É mãe do gato Anakin.

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