Resenha: Piquenique na estrada, de Arkádi & Boris Strugátski

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Piquenique na estrada, de Arkádi & Boris Strugátski, é um livro clássico da Ficção Científica distópica. “Publicado pela primeira vem em 1972 na União Soviética”, fala sobre a desilusão e “insignificância humana”.

É um livro bastante reflexivo. “Existem seres inteligentes no espaço. Mas, para eles, a humanidade é irrelevante”, essa é a frase da quarta capa que resume de forma espetacular esse livro. Em Piquenique acompanhamos a história da pós-visitação. É extremamente interessante ver isso, como as pessoas ficam depois de sua cidade ter sido visitada por alienígenas e como elas vivem quando já se foram. Nessa história, há uma espécie de “caçadores de tesouro”, que trabalham no lixo deixado pelos visitantes.

O que gostei, principalmente, foi da forma que foi escrita a história. Não está tudo mastigado, com descrições exaustivas para que o leitor entenda tudo logo de cara, não está tudo mastigado. Não, aqui vamos descobrindo aos poucos. E que história bem escrita! Que vontade de voltar a ler durante o dia todo. Dá para sentir a atmosfera densa e triste.

No entanto, algumas partes no início da tradução me incomodaram. Não, eu não sei russo para comparar, mas podemos ter uma noção, por exemplo, quando há tentativa de traduzir gíria, ou melhor, encaixar as nossas, então tem “sou safo” e “caguetagem”. O livro foi publicado em 1972, então nem nessa época essas gírias se encaixariam caso se passasse no Brasil. Enfim, para minha alegria, passado o susto, isso não é mais visto no texto e ele flui. E como flui!

A busca por objetos no espaço delimitado é assustadora. Redrick Schuhart é o stalker, o caçador de objetos estranhos, que sobrevive com a venda deles. Ele não consegue sair dali, mesmo tendo oportunidade de se mudar, fica e é isso que ele sabe fazer. Ele é apático, como a atmosfera do lugar.

Mas o local não é tranquilo, não dá para apenas entrar ali e sair com coisas estranhas como os “ocos”.

No final há o posfácio escrito por Boris Strugátski. Ele fala sobre a censura que viveram na época da URSS, os cortes esdrúxulos que exigiam que fizessem, a mutilação que algumas histórias sofreram, sobre outro livro Boris diz que não tem coragem nem de olhar, tamanha foi a mudança feita. Mas Piquenique (Editora Aleph, 320 páginas, 2017) está intacto, esta é a primeira versão.

Recomendo muito a leitura desse clássico sensacional!

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Heidi Gisele Borges

Autora dos livros juvenis "O menino que perdeu a magia" e "Um segredo de Natal", pela Editora Estronho, e de diversos contos de horror, tudo sob o nome Celly Borges. É revisora, viciada em livros e em dormir. É mãe do gato Anakin.

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