Resenha: Razão e sentimento (ou Razão e sensibilidade), de Jane Austen

Em Razão e sentimento (Sense and sensibility, L&PM, 400 páginas, 2012), acompanhamos a história das irmãs Dashwood, Marianne e Elinor, a mais velha, em busca do casamento ideal para elas. Essa ideia é bastante usada por Austen: as moças procuram um excelente casamento para passar a vida. Elas geralmente vão a bailes, a almoços, passeios e lugares sociais, conhecem ótimas pessoas ou seres desagradáveis. Há mulheres fortes, há tristes, há as que são resignadas. E elas são bastante femininas.

Jane Austen (1775-1817) fazia muitas críticas irônicas sociais. Pegamos sempre algo ali nas entrelinhas. Como a família Palmer, a sra. Palmer é desagradável, o seu marido, um homem insuportável. Ele a desmerece o tempo todos e ela, para não demonstrar qualquer tristeza parece querer acreditar que tudo o que ele diz é com humor. Mas ela diz que é feliz com seu casamento, ou nem tanto, percebemos quando conta sobre seu passado.

“– Pois vejam; observem como o sr. Palmer é engraçado. É sempre assim com ele. Às vezes ele fica sem falar comigo durante a metade de um dia, e então se sai com algo tão engraçado… a respeito de qualquer coisa neste mundo.”

As personagens de Austen têm bastante personalidade. Cada uma se destaca da outra. Elinor é mais contida, a razão, e Marianne demonstra mais seus sentimentos, fala mais sobre o que pensa. Os outros personagens também se destacam, nos fazem admirá-los ou detestá-los. São muito bem construídos, são pessoas de verdade, com sentimentos e vontades.

Quando o pai das meninas morre, deixa a família sem uma casa, as duas irmãs, a mãe, a sra. Dashwood, e a irmã mais nova, Magareth. O meio-irmão estava incumbido e cuidar das irmãs, ele prometeu ao pai que faria isso, mas se deixou induzir por sua ardilosa esposa, que foi diminuindo o valor do dote até que ele não existisse.

Assim, a família Dashwood se mudou para um lugar um pouco distante dali, num chalé e as moças precisaram ter ânimo para aguentar seus vizinhos, que sempre queriam a companhia delas.

“– Por que razão eles precisam nos convidar? – perguntou Marianne assim que os visitantes se afastaram. – O aluguel deste chalé supostamente é baixo, mas nós o pagaremos em condições muito difíceis se tivermos de jantar no parque toda vez que qualquer pessoa estiver hospedada com eles ou conosco.”

Há bastante suspense quando se trata do interesse amoroso de cada uma das moças. O que acontece de fato com eles? Marianne se encantou por John Willoughby, Elinor está apaixonada por Edward Ferrers, mas algo não está certo, o que esses homens escondem? Também há a figura do coronel Brandon, encantado por Marianne, apesar da grande diferença de idade.

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Essa história começou a ser escrita de forma epistolar entre 1795 e 1796, com o título Elinor e Marianne, mas depois Austen resolveu abandonar o estilo e o título, então criou um narrador e assim o leitor consegue perceber cada característica dos personagens.

Razão e sentimento foi publicado pela primeira vez em 1811. Em 1995 foi filmado para o cinema. No Brasil saiu com o título de Razão e sensibilidade, dirigido por Ang Lee, com Emma Thompson no papel de Elinor Dashwood. Ela ganhou um Oscar de Melhor Roteiro Adaptado e outros diversos prêmios importantes.

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Heidi Gisele Borges

Autora dos livros juvenis "O menino que perdeu a magia", "Um segredo de Natal" e "Histórias de Fantasia", pela Editora Estronho, e de diversos contos de horror. Escreve contos de terror para o Medocast, da Ola Podcasts. É revisora, viciada em livros e em dormir. É mãe do gato Anakin.

Um comentário em “Resenha: Razão e sentimento (ou Razão e sensibilidade), de Jane Austen

  • 14 de setembro de 2020 em 10:41
    Permalink

    Razão e sensibilidade é meu segundo livro preferido da Jane Austen ( só perde pra Orgulho e preconceito), adoro como a Jane Austen escreve, esse é realmente um ótimo livro.
    Adorei a resenha.
    http://www.verdeveggie.blogspot.com

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