Resenha: Um cântico de Natal e outras histórias, Charles Dickens

Gosto de histórias natalinas. Principalmente as que trazem uma mensagem sobre bondade, amizade e amor. Não precisam, necessariamente, ter um final feliz. Um exemplo de uma das histórias tristes mais bem escritas que já li é o conto “A pequena vendedora de fósforos”, de Hans Christian Andersen (1805-1875).

O primeiro conto do livro “Um cântico de Natal e outras histórias” (Martin Claret, 2020, 328 páginas) é “Festas de Natal”, e mostra como são os preparativos para receber a família, a alegria, as brincadeiras, as comidas e, principalmente, o perdão.

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“Daniel Grub! Daniel Grub! – exclamou um selvagem coro de vozes.”

No conto “A história dos duendes que raptaram um coveiro”, um coveiro mal-humorado, carrancudo e teimoso vai na véspera do Natal abrir uma cova, quando ouve uma voz estranha e percebe um duende horrendo sentado de forma estranha sobre uma lápide. O duende o carrega para as profundezas e mostra, como em “Um cântico de Natal”, os erros que ele comete. É uma história bem assustadora.

Na seleção de trecho de “O relógio do senhor Humphrey”, mostra um homem solitário indo a um restaurante no dia do Natal, então vê um único sujeito numa mesa e se aproxima. Esse sujeito é mudo e os dois conversam através de escrita, então se tornam bons amigos. Não sabemos muito sobre o que acontece antes e depois.

Na clássica e mais conhecida história de Dickens, “Um cântico de Natal” (1943), acompanhamos um homem avarento, que só quer saber de trabalho e arrecadar dinheiro. Não se importa com nada nem com ninguém e dá condições terríveis de trabalho para seu único funcionário. Até que na noite de Natal, o fantasma de seu ex-sócio aparece e avisa que o velho será visitado por três fantasmas: do Natal passado, presente e futuro. Descrente, Scrooge (que já virou sinônimo de sovina), não se importa muito, até que os fantasmas começam a aparecer e o levam para épocas chave de sua vida. E o fazem repensar sobre suas atitudes mesquinhas.

Essa história já foi adaptada de diversas formas para cinema, teatro e literatura. Uma leitura essencial para esta época tão mágica.

Em “O homem possesso e o pacto com o fantasma”, vemos um homem que conversa com o seu Fantasma, que é a sua cópia. Esse Espectro oferece a oportunidade de o professor de química se esquecer de todo o seu sofrimento, porém, isso traz consequências. É um conto mais denso, mais trabalhado, que requer atenção, pois há várias histórias interligadas.

Charles Dickens (1812-1870) sabe como contar histórias que trazem todo tipo de personagens bem delineados. E vemos que, muitas vezes, essas histórias mostram pessoas com a consciência pesada por algum motivo. Há pessoas mesquinhas, que sofrem pelo passado, mas, principalmente, que o mal é causado pelas próprias escolhas, e que através das escolhas podemos mudar e melhorar sempre.

Outras obras de Dickens: David Copperfild, A velha loja de curiosidades, A casa soturnaUm conto de duas cidadesA vida e as aventuras de Nicholas NicklebyOliver Twist, Tempos difíceis.

Essa resenha foi publicada, também, na Revista Mestres do Terror.

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Heidi Gisele Borges

Autora dos livros juvenis "O menino que perdeu a magia", "Um segredo de Natal" e "Histórias de Fantasia", pela Editora Estronho, e de diversos contos de horror. Escreve contos de terror para o Medocast, da Ola Podcasts. É revisora, viciada em livros e em dormir. É mãe do gato Anakin.