A história sem fim, de Michael Ende

Não posso começar de outra forma: A história sem fim (Die unendliche Geschichte, Editora Martins Fontes, 2016), lançado em alemão em 1979, e é o meu livro favorito!

Não apenas de Michael Ende, mas entre todos. Quando falo em minhas resenhas sobre um autor não diminuir seu leitor por sua obra ser destinada principalmente ao público infantil e juvenil é de Ende que vem a grande inspiração. Ele instiga seu leitor, cria novos mundos e nos faz viajar e querer ler mais e mais de suas histórias fascinantes, ricas.

Para entender a ideia de A história sem fim é preciso entender o livro em si:

– É dividido em duas cores: vermelha e verde. A primeira para quando Bastian Baltasar Bux está no mundo comum e sem graça e a segunda para quando ele está no mundo de Fantasia, lendo o livro e, assim, participando de sua criação, afinal uma história só existe para o leitor se for lida.

– Há 26 capítulos e, podemos chamar, uma introdução, quando Bastian encontra o Sr. Karl Konrad Koreander. O menino foge de garotos que querem bater nele, e, para se esconder, tanto deles quanto da chuva, entra na loja “Alfarrabista”, escrito no vidro, e Bastian vê ao contrário por estar do lado de dentro. Bem, e por que exatamente 26 capítulos? Simples, um para cada letra do alfabeto, isso mesmo, cada capítulo inicia com uma grande letra, separada na página da esquerda, que dá continuidade ao parágrafo, essa letra vem acompanhada por desenhos dos personagens que aparecerão no capítulo.

As paixões humanas são misteriosas, e as das crianças não o são menos que a dos adultos. As pessoas que as experimentam não as sabem explicar, e as que nunca viveram não as podem compreender.

A paixão de Bastian Baltasar Bux eram os livros.

Bem, já conhecemos Bastian, continuemos, então. O menino se vê encantado pela obra que o Sr. Koreander está lendo, e logo que o homem sai ele rouba o livro. Agora é um ladrão. Não pode voltar para casa. Ninguém notaria sua falta mesmo. Bastian se esconde no sótão da escola, não teria mais a obrigação de frequentar as aulas, afinal era um fugitivo.

O livro que Bastian lê começa com a ida de alguns seres, mensageiros, para a Torre de Marfim, eles precisam contar à Imperatriz Criança que algo estranho está acontecendo: O Nada está invadindo algumas partes de Fantasia! Mas quando chegam, percebem, pelo número de mensageiros, que Fantasia está tomada pelo Nada. Seres caem, ou mesmo se jogam, pois aquele grande Nada as atrai, alguns até mesmo colocam apenas uma parte do corpo e ela some.

É como se uma pessoa ficasse cega, quando olhasse para esse lugar, não é?

A Imperatriz Criança, que está definhando, manda o pequeno Atreiú para que ajude na grande busca do que pode salvar tudo e todos… Mas, o que ele precisa encontrar? Ao menos carrega no pescoço o “Brilho”, o símbolo da Imperatriz ­– para quem não o conhece, AURIN –, um amuleto de ouro, representando duas serpentes, uma clara e outra escura, que mordiam a cauda uma da outra, formando uma figura oval e, assim como você, leitor, deve ter feito agora, Bastian também o fez, analisou a capa do livro que tinha nas mãos. Mas a edição de agora – não só no Brasil – é azul, e no livro fala em cobre, que era a capa antiga.

Durante a jornada, Atreiú, que sofre altos e baixos, perde seu grande amigo no Pântano da Tristeza, o cavalinho Artax, uma das cenas mais tristes. Muitas aventuras serão intensamente vividas. Atreiú, Bastian e para quem mais acompanha a história, Fuchur, o Dragão Branco da Sorte, chega para ajudar a enfrentar todos os perigos e levar os leitores pelos céus de Fantasia.

Em alguns pontos – quando Bastian para de acompanhar a história para comer, ir ao banheiro (muito importante!), ou fazer algum comentário – as cores de sua vida tornam-se vermelhas. Há muitas aventuras, descobertas e crescimento.

A ideia de “história sem fim” é também porque o narrador sempre fala mas essa é uma outra história e terá de ser contada em outra ocasião, e todo livro sempre tem gancho para outras história.

A história sem fim já foi filmado (parte I – 1984, dirigida por Wonfgang Petersen, parte II 1990, dirigida por Georde Miller, parte II – 1995, dirigida por Peter Mcdonald), mas o autor não gostou do resultado e pediu para que seu nome fosse retirado dos créditos. Também há o audiolivro, narrado por Gert Heidenreich.

Segundo uma pesquisa realizada em diversos países e divulgada pelo Instituto Goethe, o livro alemão preferido pelos leitores em todo o mundo é A história sem fim. As obras do autor já foram traduzidas para mais de 40 línguas.

Em meu livro, O menino que perdeu a magia (Editora Estronho, 2014), tem várias homenagens ao mestre, por exemplo, o menino Daniel Conrad ganha o livro A história sem fim e se torna o seu tesouro.

Infelizmente Michael Ende nos deixou em 28 de agosto de 1995, mas deixou diversos livros incríveis, como Momo e o Senhor do tempo, O ponche dos desejos (que já foram resenhados no site, que, inclusive, tem seu nome inspirado em Momo).

Bem, Momo recebeu o Prêmio de Literatura Juvenil Alemã e o Prêmio Europeu de Livros para a Juventude. Michel Ende estudou na Waldorf School e desertou ao ser convocado para o serviço militar em 1945, aos 16 anos. Nasceu em Garmisch-Partenkirchen, Alemanha, em 12 de novembro de 1929. Viveu no interior da Itália, numa casa chamada Casa do Unicórnio, em meio a um jardim repleto de oliveiras. Por problemas financeiros, Ende não fez faculdade.

Acompanhar suas histórias é sempre brindar pela ótima literatura. Seu primeiro livro Jim Knopf e Lucas, o maquinista (Jim Knopf und Lukas der Lokomotivführer), publicado em 1960, e lançado no Brasil pela Editora Martins Fontes, está sendo filmado na Alemanha e tem previsão de estreia para 2018.

Imagem da minúscula ilha Lummerland, divulgada no Instagram do filme Jim Knopf und Lukas der Locomotivführer

Lummerland é uma pequena ilha com duas montanhas, uma estação de trem e um castelo no topo. Não há nada especial – mas é o lugar mais bonito que você pode imaginar!

Imagem da locomotiva Emma divulgada no Instagram do filme Jim Knopf und Lukas der Locomotivführer

Mas essa é uma outra história e terá de ser contada em outra ocasião.

Ou numa próxima resenha.

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